TRABALHO VOLUNTÁRIO NA CASA ESPÍRITA

1 de abril de 2017 11:210 comentários

Revista Reformador

                 Pilares de sustentação do trabalho voluntário na Casa Espírita

Considerações iniciais
O trabalho voluntário na Casa Espírita, além de contribuir para o fortalecimento das forças do bem na humanidade, é uma oportunidade ímpar, disponibilizada à criatura humana para que, de forma consciente e mais constante, se encontre com nosso Pai celestial. Daí a importância de o voluntário, ao abraçar sua tarefa, estar plenamente cônscio da relevância de sua participação, certo de que, em sua atuação, contará com a companhia e assistência do Pai celestial através de sua coorte de anjos.
Dessa forma o trabalhador voluntário da seara divina deve envidar todo seu esforço no sentido de honrar esses momentos, assentando sua força de trabalho em pilares que resistam às dificuldades naturais, existentes no terreno onde as sementes do Amor serão plantadas e regadas.
1º Pilar: Amor ao próximo, respeito humano
O trabalho voluntário na Casa Espírita exige contato permanente com criaturas humanas encarnadas e desencarnadas, situadas nas mais variadas faixas vibratórias de pensamento e comportamento, daí a necessidade de o voluntário ser portador de um aceitável grau de sensibilidade para que possa bem se relacionar com essas pessoas, a fim de não prejudicar os intentos divinos em favor delas. Ao lidar com criaturas humanas nunca esqueçamos que nem sempre estamos tratando com pessoas lógicas, mas sim, na maioria das vezes, com pessoas emocionais.
É imprescindível que, no desempenho de sua tarefa, o voluntário guarde estrita vigilância ante as investidas provenientes do plano espiritual inferior, pois as mesmas encontram terreno fértil, para sua semeadura, no lodaçal do orgulho, da vaidade, do melindre, da sede de poder, da ignorância e da fragilidade emocional e moral das pessoas, bem como em outras imperfeições próprias da natureza humana.
Assim, tratar bem aqueles com quem nos relacionamos, estimulando-os para o trabalho que desempenham e/ou incentivando- os a superar as dificuldades da jornada, são exemplos que, sempre que possível, devem ser vivenciados pelo trabalhador espírita. Ademais, não custa nada lembrar que, sempre que a oportunidade apareça devemos habitualmente cumprimentar as pessoas, com naturalidade, ser compreensivos, ser solícitos, atenciosos, enfim, educados com o semelhante. Esses “pequenos” gestos muito contribuem para o ajuste da nossa sintonia com o plano espiritual superior que nos assiste.
2º Pilar: Fidelidade aos princípios espíritas
Em função da natureza do trabalho realizado na Casa Espírita, é fundamental que seu trabalhador voluntário não só tenha conhecimento doutrinário, mas também o abrace e nele tenha fé. Afirmamos que o trabalho espírita é diferente dos demais, porque não leva em consideração somente as necessidades de ordem material da criatura humana, mas, principalmente as mais imediatas. O trabalho sob a égide do Espiritismo também leva em consideração a vida espiritual das pessoas e seu retorno à carne em vidas futuras. Para que essa consciência se firme, de forma mais efetiva na conduta do voluntário, é necessário que saiba o que é reencarnação, quais os princípios que a regem e que a compreenda à luz do Espiritismo; que tenha conhecimento e acredite na comunicabilidade dos Espíritos, em como essa comunicação se processa e que efeitos provoca na vida da criatura humana; que tenha fé em Deus, em sua bondade, misericórdia e justiça, para melhor entender as desventuras com que se deparará ao longo do seu trabalho e que acredite na imortalidade da alma, para citar alguns requisitos básicos necessários a que se guarde fidelidade aos princípios doutrinários espíritas.
A falta de conhecimento do que seja o Espiritismo, dos recursos de que dispõe e dos princípios em que se assenta, indubitavelmente levará o voluntário espírita a desenvolver seu esforço de trabalho em direção contrária à que se recomenda a Doutrina Espírita, gerando assim sérios conflitos de identidade na Instituição. Um exemplo funesto dessa ausência de fé e fidelidade às recomendações do autêntico Espiritismo é a realização de práticas estranhas ou exóticas na Casa Espírita.
3º Pilar: Convivência fraterna e companheirismo
Jesus com seu exemplo nos ensinou que o trabalho na seara divina não dispensa a participação de ninguém que esteja imbuído de boa vontade e sintonizado com os propósitos divinos. Para cumprir sua missão entre nós, Ele se fez acompanhar de discípulos das mais variadas condições sociais e culturais, com destaque para os doze apóstolos que lhe eram mais próximos. Poderia, certamente, cumpri-la sozinho, mas em sua sabedoria optou por partilhá-la com seus irmãos de caminhada e de ideal. Assim deve ser na Casa Espírita, pois todos os que nela se encontram são irmãos que abraçam a mesma fé, dispostos a seguir as recomendações de vida eterna, trazidas pelo Cristo, uns espiritualmente mais amadurecidos que outros, mas todos desejosos de crescimento espiritual.
Diante dessa heterogeneidade evolutiva, é natural que em alguns momentos ocorram desencontros de opinião e comportamento, todavia, nesses momentos devemos nos lembrar de que viemos para unir pessoas e não para separá-las. Que o companheiro de espírito mais amadurecido na prática do bem se apresente junto ao mais fragilizado, não para confrontá-lo, mas para, juntos, trabalharem em favor da causa do Cristo, uma vez que os discípulos de Jesus são conhecidos por muito se amarem. Que nosso proceder no desempenho de nossa tarefa seja o de partilha, de companheirismo e de compreensão para com as limitações humanas. Dar asas ao destempero emocional, ao “disse me disse”, à soberba, à arrogância, à exaltação da personalidade, por exemplo, só serve para obstaculizar a efetivação dos propósitos do Espiritismo na humanidade. Os tempos são chegados e esse tempo é o da solidariedade e da fraternidade. Nós, os trabalhadores da última hora, já perdemos muito tempo com os braços cruzados, portanto, temos muito trabalho pela frente.
4º Pilar: Amor ao trabalho
No exercício de sua tarefa, o trabalhador voluntário da Casa Espírita deve estar imbuído do sentimento de amor ao que faz e não do da obrigação ou da prestação de um favor a alguém, seja encarnado, seja desencarnado. Não esqueçamos que Jesus espera de cada um de nós misericórdia (compaixão) para com a dor e o sofrimento alheio e gestos conscientes de amor ao próximo e não sacrifícios ou mesmo obrigações forçadas de qualquer ordem.
A alegria de poder contribuir para a felicidade daqueles que a Providência divina coloca em nosso caminho deve ser a motivação que nos leve a realizar o trabalho voluntário, principalmente na Casa Espírita. Isso exige que eduquemos nossos sentimentos e reavaliemos nossa postura ética (como estamos nos relacionando com nossos semelhantes, principalmente os mais próximos?), moral (que valores tomamos como referência para nossa conduta cotidiana?) e comportamental (nosso comportamento na vida está coerente com o que acreditamos e professamos, como espíritas que somos?). Meditar sobre esses três pontos e esforçar-se, o mais que possível, para vivenciar atitudes coerentes com a proposta divina, referente a cada um deles, é tarefa urgente e inadiável, haja vista a necessidade de adquirirmos o equilíbrio exigido para o trabalho na lida espírita. Sem esse equilíbrio, como enfrentaremos as dificuldades e incompreensões que fatalmente surgirão no decorrer da tarefa? É fundamental que saibamos, adequadamente, nos desviar das pedras que surgirem no caminho, contornando-as ou removendo-as, uma vez que, se elas ali permanecerem, poderão ser motivo de tropeço e até mesmo de queda daqueles que com elas se depararem.
5º Pilar: Presença
O trabalho espírita, devido às bases em que se assenta e coerente com os fins a que se propõe, em hipótese alguma deve promover a infelicidade de seus agentes. Por isso, quem se dispuser a trabalhar na seara espírita deve planejar bem seu tempo de modo a não se prejudicar na condução de suas outras atividades, fora do Centro, e também para que a tarefa da qual participa no Movimento Espírita não venha a sofrer nenhum tipo de prejuízo. É imperativo que haja tranquilidade e satisfação por parte do trabalhador voluntário, principalmente no desempenho de sua tarefa, e isso só será possível se, dentre outros fatores, houver, no mínimo, um equilíbrio razoável do binômio: trabalho assumido versus tempo disponível à sua realização. Para que esse equilíbrio se estabeleça e o encargo seja satisfatoriamente realizado, se faz necessário administrar bem a ocupação do tempo disponibilizado, uma vez que esse tempo, competentemente distribuído, mesmo sendo pouco, pode gerar frutos mais proveitosos do que os produzidos por alguém muito ocupado com realizações desnecessárias e assumindo atitudes incompatíveis com os propósitos da tarefa e com as finalidades do Espiritismo. Nesse quesito, a assiduidade e a responsabilidade são duas condições que não podem faltar.
Conclusão
Aos que desejam participar do trabalho voluntário na Casa Espírita e aos que já estão nele integrados deixamos a seguinte mensagem de Francesco, il poverello de Assis:
Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível.
FONTE: Revista Reformador – Federação Espírita Brasileira 2014

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